MUDAMOS DE ENDEREÇO

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domingo, 29 de junho de 2008

A história de Sarah Szklo


Estado civíl: viúva, Nacionalidade: brasileira, Idade: 78 anos, Naturalidade: Rio de Janeiro. Sempre gostei de trabalhar, desde criança. Gosto de vendas, contato com o público. Enquanto meus braços, minhas pernas e minha cabeça permitirem continuarei fazendo o que gosto. Dirijo, uso computador (Word, Outlook, Messenger, Skype) E quero trabalhar.

Ela resolveu escrever este currículo num formato diferente dos outros por uma razão muito simples: é que ela nunca havia feito um currículo antes em toda a sua vida. Nem sabia por onde começar.

Como sempre trabalhou a vida toda, desde pequena, chegou a conclusão de que a sua história pessoal poderia falar mais dela, do que simplesmente uma lista de empregos. Sara quer logo arregaçar as mangas e trabalhar.

Aos 9 anos

Tudo começou com uma necessidade de família. Meu pai tinha uma barraca que vendia panelas de ferro no Mercado Municipal de Belo Horizonte. O negócio começou a crescer e ele precisou de ajuda. Éramos 5 irmãos. Não sei porque, mas entre todos meu pai escolheu a mim. Eu tinha 9 anos e comecei a trabalhar com ele todas as tardes, depois da escola. Logo percebi que não seria nenhum sacrifício. Eu gostava de estar ali. E descobri já naquela idade que o contato com o público e o comércio me encantavam e me divertiam. Em pouco tempo construí uma sólida freguesia. Tinha gente que só comprava comigo. Se eu não estivesse, preferia voltar mais tarde. Fiquei com meu pai em sua barraca até terminar o primário.

Aos 17 anos

Meu pai era um comerciante nato. Enxergava longe, conhecia seu público, tinha uma intuição quase infalível e, principalmente, tinha sorte. Inclusive no jogo. Quando entrei na Faculdade de Comércio de Minas Gerais ele ganhou um bom dinheiro na Loteria Federal. Comprou uma boa casa para a família e abriu sua primeira loja de brinquedos. E eu fui trabalhar com ele. Nesta ocasião eu não apenas vendia como também ajudava na administração e nas compras. Eu era o braço direito do meu pai. Quando me formei, quatro anos depois, já eram três lojas.

Aos 21 anos

Eu havia crescido e meus interesses haviam se ampliado. Eu não vivia mais só em função da loja do Papai. Eu queria aproveitar a vida, queria me casar, queria ir para Israel (objetivo de 10 entre 10 jovens judeus àquela época). E foi o que eu acabei fazendo. Jovem e idealista fui ajudar a construir o Estado de Israel, morando num kibutz e vivendo uma vida simples, de muito sacrifício, de muito trabalho mas de muito orgulho. Sete anos e dois filhos depois, sentimos que havíamos cumprido a nossa missão e resolvemos voltar para o Brasil.

Aos 30 anos

Fomos morar em Belo Horizonte e meu pai nos ofereceu uma de suas 5 lojas para administrar. Os tempos eram outros. Meu irmão, que era apenas um adolescente quando eu fui para Israel, era agora o braço direito do meu pai. De qualquer maneira, eu havia descoberto uma outra paixão em minha vida: meus filhos. Mesmo assim meu prazer em trabalhar com o público continuava firme e forte.

Aos 32 anos

Para melhorar um pouco mais as finanças da família, comecei a lecionei hebraico na Escola Israelita Brasileira Teodor Hertz.

Aos 34 anos

Meu marido recebeu uma proposta para trabalhar em Jacareí, interior de São Paulo, e nos mudamos para esta cidade. Agora já eram três filhos para cuidar. Enquanto estivemos lá, montamos uma granja nos fundos da nossa casa e vendíamos frangos e ovos para a vizinhança. Quer dizer: eu não precisei abrir mão de nenhuma de minhas paixões: filhos e trabalho.

Aos 36 anos

Um ano depois meu marido recebeu uma proposta melhor para trabalhar em São Paulo e então fomos para lá de mala e cuia. Dois anos depois comecei a vender roupas femininas para vizinhas e amigas. Era no meu quarto mesmo. Quando o negócio começou a crescer, construímos uma edícula nos fundos da nossa casa onde começou a funcionar oficialmente a Boutique Sônia. Enquanto eu tive a boutique moramos em três casas diferentes. Durante um tempo chegamos a ter uma filial no Itaim Bibi, mas a distância do dia-a-dia dos meus filhos me fizeram desistir do negócio.

Aos 50 anos

Com os filhos já criados, resolvi dar uma guinada em minha vida. Meu pai queria há muito tempo abrir uma filial de suas lojas, o Rei dos Brinquedos, em São Paulo. Depois de muita insistência aceitei o desafio e alugamos uma loja em Pinheiros. O ponto era ótimo, os preços eram justos, meu pai mantinha sempre a loja bem abastecida e o atendimento era diferenciado. Num tempo de uma inflação absurda, tínhamos um concorrente a apenas um quarteirão de distância que utilizava uma estratégia que ficou famosa à época: vendiam mais barato que a própria fábrica e aplicavam o dinheiro no “overnight”. Agüentamos por um bom tempo por causa de nosso atendimento. Muitos clientes sabiam que vendíamos mais caro que o concorrente mas faziam questão de serem bem atendidos.

Aos 58 anos

Alguns anos depois chegamos a conclusão que não valia mais a pena lutar tanto contra um inimigo tão agressivo, e fechamos a loja. Então comecei a trabalhar como representante para a firma Kapos Comercial e Industrial Ltda, onde trabalhei por 20 anos até 2006, sendo muitas vezes durante todo este tempo campeã de vendas. Nos últimos anos, paralelamente acumulei a representação de outras empresas como a Confetti e Visual.

Aos 78 anos

O trabalho de representação é muito extenuante e exigente. É preciso estar na rua todos os dias o dia inteiro e apesar de estar muito motivada para trabalhar, já não estou mais disposta a tantos sacrifícios. Resolvi que era hora de mudar e dar outra guinada. Quero trabalhar em algo que me dê satisfação mas que não exija demais (fisicamente) de uma jovem senhora de 78 anos. Ah, já ia me esquecendo: há 25 anos sou síndica de prédio em que moro: dez anos no anterior e quinze anos no atual.

Fonte: IDADE MAIOR

1 comentários:

João

Exemplo à ser seguido. bj

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